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Tratamento com psicadélicos

Tratamento com psicadélico e suporte psicoterapêutico

O tratamento com psicadélicos é uma intervenção experimental(*) destinada a alguns problemas de Saúde Mental que combina a administração de um psicadélico em contexto clínico com suporte psicoterapêutico.

Os psicadélicos são substâncias que causam uma modificação profunda, mas transitória, do conteúdo da consciência. Durante uma experiência psicadélica em contexto clínico, os padrões de funcionamento habituais do cérebro são quebrados temporariamente e a mente funciona de uma forma menos rígida, o que por vezes se traduz em experiências psicológicas profundas [7,8,9]. Existe também evidência de que, nos dias seguintes à sua administração sob supervisão médica, os psicadélicos aumentam a neuroplasticidade (capacidade do cérebro criar novas comunicações entre neurónios) [4]. Estas alterações funcionam de forma sinérgica com o suporte psicoterapêutico, no sentido de se implementar um processo de auto-conhecimento e de mudança [1]. Tal como todos os tratamentos, este também tem riscos e o suporte psicoterapêutico serve para aumentar a segurança do tratamento, protegendo da vulnerabilidade temporária causada pela substância [7,8,9].

Esta intervenção tem sido investigada e utilizada em casos de depressão nos quais os antidepressivos e/ou a psicoterapia convencional não foram eficazes [10,11].

(*) Este tratamento ainda não reúne evidência científica suficiente para ser aprovado pelas entidades reguladoras, sendo a sua prescrição responsabilidade do médico prescritor.

 

Como funciona o tratamento?

O tratamento consiste na administração de um medicamento aprovado como anestésico e que em doses sub-anestésicas tem efeitos psicadélicos, combinando-a com suporte psicoterapêutico no dia seguinte, com o objetivo de [7,8,9].

  • Criar maior flexibilidade psicológica
  • Ativar os seus recursos internos
  • Desenvolver uma relação mais saudável com os conteúdos da sua mente
  • Explorar novas perspetivas em relação a si e aos seus problemas
  • Ganhar entendimento sobre potenciais áreas de conflito
  • Implementar estratégias de mudança

 

saúde mental

A farmacoterapia e a Psicoterapia

No campo da Saúde Mental, a farmacoterapia e a psicoterapia são frequentemente aplicadas em separado [1]. O tratamento com psicadélico e suporte psicoterapêutico une os 2 métodos numa única intervenção, com os mecanismos neurobiológicos e os processos relacionais a criarem-se e a informarem-se em conjunto [2].

Isto abre a possibilidade de aprofundar e acelerar os benefícios de cada uma e é este modelo de tratamento integrado, que envolve a criação de efeitos neurobiológicos, vivências psicológicas e técnica psicoterapêutica [7,8,9] que utilizamos no departamento de Saúde Mental da Clínica Hugo Madeira*.

*As sessões de administração do medicamento com propriedades psicadélicas são realizadas na clínica médico-cirurgica “O Bloco”.

 

O que tratamos?

A nossa abordagem pode ser utilizada em algumas pessoas que sofrem de Depressão, e que não melhoraram com os tratamentos aprovados (ex: antidepressivos, psicoterapia) [11,12]. Existem no entanto, contra-indicações (psiquiátricas e médicas) que têm de ser exploradas numa consulta de avaliação. Para além disso, uma vez que é um tratamento experimental, é necessária a assinatura de um Consentimento Informado.

     

    Passo a passo

    Como em qualquer tratamento, também nesta intervenção há métodos, abordagens e uma sequência que deve ser seguida em cada tratamento.

     

    1. Preparação
    • Duas sessões de 60 minutos de duração;
    • Informação sobre o tratamento e assinatura de Consentimento Informado; 
    • Estabelecimento de aliança terapêutica;
    • Familiarização com o contexto (sala com condições de conforto e segurança).

    1. Administração de psicadélico atípico
    • Administração de medicamento com propriedades psicadélicas sob supervisão de médico psiquiatra (injeção intramuscular);
    • Sessões com a duração de 2h30;
    • Uma sessão por semana;
    • Postura introspetiva (música, olhos fechados).

    1. Suporte psicoterapeutico
    • 1 hora de duração, com Psicoterapeuta, no dia seguinte à sessão de administração de medicamento;
    • Partilha da experiência subjetiva e compreensão dos significados;
    • Ajudar a lidar com eventuais experiências desafiantes;
    • Integração no dia-a-dia; trabalhar mecanismos de mudança.

    Semana 0

    Consulta de avaliação inicial.

    Semana 1

    Sessões de preparação.

    Semana 2-6

    Sessões com medicamento e sessões de psicoterapia (no dia seguinte).

    Semana 7

    Conclusão do tratamento.

    O número médio de sessões de administração do  psicadélico atípico é de 5 sessões. O número total de sessões será decidido em conjunto com o paciente, de acordo com a resposta ao tratamento, tipicamente variando entre 4 e 6 sessões.

    O custo da avaliação inicial é de 100€ e consiste numa sessão de 1h30, com o Médico Psiquiatra, Prof. Doutor Pedro Castro Rodrigues e a Psicoterapeuta Prof. Doutora Ana Cruz.

    FAQs — Perguntas Frequentes

    Quais os efeitos deste tratamento no cérebro?

    Um dos efeitos das terapias com psicadélicos que tem sido mais consistentemente demonstrado é a estimulação da neuroplasticidade cerebral, ou seja, dos mecanismos moleculares e celulares que permitem ao cérebro responder de forma mais adaptativa ao seu meio envolvente[1,2,3].
    Por último outro lado, ao modificar temporariamente a atividade das redes cerebrais, os tratamentos com psicadélicos podem quebrar padrões mentais rígidos e inflexíveis e criar experiências com valor psicológico profundo. [5,6].

    Este tratamento tem efeitos secundários?

    Os efeitos secundários mais comuns são náuseas, visão turva, desequilíbrio e aumento ligeiro da pressão arterial[16]. Estes efeitos ocorrem numa minoria de casos e são tipicamente transitórios, desaparecendo ao fim de 1h da administração do medicamento.

    Quais os efeitos dos medicamentos com propriedades psicadélicas no cérebro?

    Um dos efeitos que tem sido mais consistentemente demonstrado é a estimulação da neuroplasticidade cerebral, ou seja, dos mecanismos moleculares e celulares que permitem ao cérebro responder de forma mais adaptativa ao seu meio envolvente[13].
    Por último outro lado, ao modificar temporariamente a atividade das redes cerebrais que constroem o nosso ‘eu’ habitual, pode permitir ao paciente a exploração de novas perspectivas sobre si próprio e sobre a sua relação com os outros[6].

    Em que consiste a componente psicoterapêutica do tratamento?

    As experiências psicológicas que surgem após a administração de psicadélicos podem ser agradáveis e tranquilas, mas também podem ser difíceis ou desafiantes. Nesse sentido, o suporte por um profissional com formação em psicoterapia permite prestar auxílio para entender essas experiências, proteger da vulnerabilidade, facilitar experiências terapêuticas e contribuir para um processo de auto-conhecimento e descoberta, para além da redução dos sintomas [7,8,9]. As consultas com psicoterapeuta são realizadas no dia seguinte às sessões de administração de medicamento com propriedades psicadélicas.

    Qualquer pessoa pode fazer este tratamento?

    Não, há critérios de inclusão e de exclusão específicos para esta intervenção. Os critérios de exclusão incluem determinadas condições psiquiátricas, como esquizofrenia, perturbação bipolar ou perturbação de personalidade grave, bem como adições ativas a determinadas substâncias.

    Também existem outras contra-indicações médicas, como doença vascular coronária, hipertensão arterial não controlada, patologia tiroideia e epilepsia.
    Para além disso, sendo também uma intervenção psicoterapêutica, implica capacidade de raciocínio e pensamento simbólico suficientes para a mesma.

    É possível fazer este tratamento se estiver a tomar antidepressivos?

    Sim. O tratamento com medicamentos de propriedades psicadélicas é compatível com medicação antidepressiva. No entanto, se estiver a tomar ansiolíticos (benzodiazepinas), é recomendável que os descontinue, com supervisão médica.

    Como posso marcar uma consulta de avaliação?

    Para marcar uma consulta de avaliação, pode preencher o formulário, contactar-nos por telefone através do número (+351) 308 809 688 (custo de chamada para rede fixa nacional), enviar-nos um email para [email protected], enviar uma mensagem privada para o nosso Facebook ou Instagram ou, presencialmente, na receção da clínica.

    Referências (suporte científico)

    1) Schenberg, E.E., 2018. Psychedelic assisted psychotherapy: a paradigm shift in psychiatric research and development. Frontiers in pharmacology, 9, p.733.
    2) Nutt, D., Erritzoe, D., & Carhart Harris, R. Psychedelic psychiatry’s brave new world. Cell, (2020) 181(1), 24-28.
    3) Greenway, K.T., Garel, N., Jerome, L. and Feduccia, A.A., 2020. Integrating psychotherapy and psychopharmacology: psychedelic-assisted psychotherapy and other combined treatments. Expert Review of Clinical Pharmacology, 13(6), pp.655 670.
    4) Nichols, D.E., 2016. Psychedelics. Pharmacological reviews, 68(2), pp.264-355.
    5) Carhart-Harris, R.L. and Friston, K.J., 2019. REBUS and the anarchic brain: toward a unified model of the brain action of psychedelics. Pharmacological reviews, 71(3), pp.316-344.
    6) Marguilho, M., Figueiredo, I. and Castro-Rodrigues, P., 2023. A unified model of ketamine’s dissociative and psychedelic properties. Journal of Psychopharmacology, 37(1), pp.14-32.
    7) Vaid G, Walker B. Psychedelic psychotherapy: Building wholeness through connection. Global Advances in Health and Medicine. (2022) Feb 11:11
    8) Mathai, D. S., Mora, V., & Garcia-Romeu, A (2022). Toward Synergies of Ketamine and Psychotherapy. Frontiers in Psychology, 1203.
    9) Hasler, Gregor. "Toward specific ways to combine ketamine and psychotherapy in treating depression." CNS spectrums 25.3 (2020): 445-447.
    10) Muscat, S.-A., Hartelius, G., Crouch, C. R. & Morin, K. W. Optimized Clinical Strategies for Treatment-Resistant Depression: Integrating Ketamine Protocols with Trauma- and Attachment-Informed Psychotherapy. Psych 2022, Vol. 4, Pages 119-141 4, 119–141 (2022).
    11) Wilkinson, S. T. et al. Cognitive Behavioral Therapy to Sustain the Antidepressant Effects of Ketamine in Treatment-Resistant Depression: A Randomized Clinical Trial. Psychother. Psychosom. 90, 318–327 (2021)
    12) Bahji, A., Vazquez, G. H. & Zarate, C. A. Comparative efficacy of racemic ketamine and esketamine for depression: A systematic review and meta-analysis. Journal of Affective Disorders (2021)