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Artigo de Blog

Saúde Oral e Alzheimer: Qual é a relação?

Ago, 2023

Cuide dos dentes, cuide da mente!

Esta afirmação entra no ouvido e remete-nos para a frase de conhecimento popular e que comummente ouvimos: “Mente sã, corpo são!”.

Á medida que esta possibilidade, da influência entre a saúde oral e a demência, começa a ser divulgada, tende a ser facilmente extrapolada.

Vamos aos factos:

A doença periodontal é classificada como uma doença crónica inflamatória oral, caracterizada pela presença e o desenvolvimento de uma microflora oral na qual prevalecem os microrganismos patológicos (isto é, capazes de desenvolver a doença). Apesar de ser considerada multifatorial, a presença de placa bacteriana é necessária para a progressão da doença em indivíduos suscetíveis. É a 6ª doença mais prevalente em todo o mundo (segundo a OMS) e representa a segunda causa de perda dentária a nível mundial, estimando-se que cerca de 50 % da população geral irá experienciar a mesma. Espera-se que esta percentagem aumente ao longo dos anos devido ao aumento da esperança média de vida e ao envelhecimento global da população. Embora esta condição não tenha influência estatisticamente significativa nas taxas de mortalidade, pode ter um efeito considerável na morbilidade.

A doença de Alzheimer é classificada como uma condição neurodegenerativa, grupo de patologias caracterizadas pela perda lenta e progressiva de uma ou mais funções do sistema nervoso. À semelhança da doença periodontal, é uma condição cuja prevalência/incidência aumenta com a idade. Para além disso, também muitos fatores ambientais, epidemiológicos e de risco são comuns a estas duas condições.

Posto isto, o verdadeiro impacto que todos estes fatores têm na relação entre a doença periodontal e a doença de Alzheimer podem atuar como fatores de confundimento, camuflando a veracidade dos factos.

A maioria dos estudos publicados neste âmbito, apresentam resultados que afirmam que pacientes com a doença de Alzheimer diagnosticada têm mais perdas dentárias e edentulismo comparativamente ao grupo de controlo. No entanto, esta relação de associação deve ser interpretada de forma cautelosa, pois existem diferentes mecanismos biológicos que podem estar na génese da perda de dentes.
Destacamos aqui algumas ideias-chave que possam conferir veracidade a esta relação:

  • A doença periodontal, sendo uma doença inflamatória, caracteriza-se pelo aumento local, e eventualmente sistémico, de fatores inflamatórios que podem ter impacto ao nível do sistema nervoso central. Para além disso, as próprias bactérias, de presença mandatória na doença periodontal podem migrar para o sistema nervoso central, prejudicando o seu normal funcionamento.
  • A função mastigatória é assegurada pela presença de dentes ou pela sua substituição aquando perdas. Está diretamente associada a uma boa qualidade de vida, bem como, a hábitos alimentares corretos, assentes numa alimentação saudável e equilibrada. A perda dentária e, por conseguinte, da função mastigatória pode diminuir a perda de nutrientes essenciais para o sistema nervoso central.
  • Existe uma partilha de fatores genéticos predisponentes para a doença periodontal e a doença de Alzheimer.
  • A presença de peças dentárias na cavidade oral contribui para a prociocepção (mecanismo “gestor de forças” associado ao sistema nervoso central).
  • A doença de Alzheimer., associada a perda de função congintiva, compromete a correta higiene oral dos pacientes que a experienciam. Esta condição aumenta o risco de desenvolvimento de problemas orais, nomeadamente a doença periodontal, cujo culminar é a perda dentária.

Estas ideias chave, instigam que a doença periodontal pode constituir um fator de risco indireto para a progressão, exacerbação e forma de manifestação da doença de Alzheimer. É precoce assumir a existência de uma relação de causalidade. No entanto, os resultados da literatura sugestionam a existência de uma associação de risco entre as duas patologias. Sendo que esta relação é bivalente.

Esta relação consciencializa os médicos dentistas para a importância da prevenção de doenças orais que possam ter um impacto ao nível da saúde geral dos pacientes. Sem esquecer que a cavidade oral tem uma situação privilegiada no diagnóstico precoce de algumas patologias.

Veja também a opinião do Dr. Hugo Madeira sobre este tema:

 

Referências:

Singhrao SK, Harding A, Simmons T, Robinson S, Kesavalu L, Crean S. Oral inflammation, tooth loss, risk factors, and association with progression of Alzheimer’s disease. J Alzheimers Dis. 2014;42(3):723-37. doi: 10.3233/JAD-140387. PMID: 24946875.

Dioguardi M, Gioia GD, Caloro GA, Capocasale G, Zhurakivska K, Troiano G, Russo LL, Muzio LL. The Association between Tooth Loss and Alzheimer’s Disease: a Systematic Review with Meta-Analysis of Case Control Studies. Dent J (Basel). 2019 May 1;7(2):49. doi: 10.3390/dj7020049. PMID: 31052367; PMCID: PMC6630622.

Taslima F, Jung CG, Zhou C, Abdelhamid M, Abdullah M, Goto T, Saito T, Saido TC, Michikawa M. Tooth Loss Induces Memory Impairment and Gliosis in App Knock-In Mouse Models of Alzheimer’s Disease. J Alzheimers Dis. 2021;80(4):1687-1704. doi: 10.3233/JAD-201055. PMID: 33720883.

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