No universo da Medicina Dentária, a controvérsia em torno das amálgamas, vulgarmente conhecidas como “chumbo”, dura há já vários anos. A probabilidade de estar a ler este artigo e de ser uma das milhões de pessoas que já colocou “chumbo nos dentes” é muito elevada.

Já alguma vez se questionou sobre os componentes deste material?

Primeiro que tudo, “chumbo” é apenas o nome pelo qual a maioria das pessoas conhece este material, que aparentemente é muito parecido mas que se chama de amálgama. A amálgama é uma combinação de metais que tem sido o material de preenchimento mais popular utilizado na medicina dentária, há mais de 1 século. No entanto, a sua antiga utilização não garante que esta seja a escolha mais segura para a nossa saúde.

Cerca de metade da amálgama é composta por mercúrio, um elemento tóxico, especialmente em situações em que o corpo esteja sujeito a um elevado nível de exposição.

Pode perguntar; Mas se é um material tóxico porque é utilizado na boca? Pois bem, o mercúrio é usado para ligar todos os componentes da amálgama, criando uma restauração forte e duradoura. Estas características aliadas ao facto de ser um material relativamente barato colocaram, durante muitos anos, as amálgamas como prioridade de escolha para a maioria dos dentistas e pacientes.

O facto de colocar este “chumbo” na sua boca não constitui um perigo imediato para a sua saúde, desde que a amálgama esteja bem colocada e adaptada. A nossa boca está em constante actividade, a saliva, a mastigação, o ranger dos dentes (Bruxismo) e as mudanças de temperatura, podem provocar dano e desgaste na amálgama ou, fendas no dente envolvente, e assim aumentar a libertação de vapores e partículas tóxicas, prejudiciais para o organismo.

Qualquer restauração dentária é suscetível a danos e terá de ser substituída eventualmente. Novos materiais, como resinas ou cerâmicas são alternativas seguras e sem componentes tóxicos, mas estes tratamentos também devem ser cuidadosamente tratados e acompanhados.

O que deve fazer?

Na minha clínica a palavra de ordem é “prevenção”. Muitos pacientes não percebem que os seus “chumbos” estão danificados e isso pode significar um elevado nível de exposição ao mercúrio. Os check-ups dentários periódicos são fundamentais para avaliar se as suas amálgamas estão em boas condições. Em caso de necessidade de substituição, deve garantir que o seu dentista possui experiência neste tipo de intervenção e de que está munido de todas as ferramentas que permitam remover e substituir este componente, com toda a segurança necessária.

É fundamental que a decisão de remoção das amálgamas seja feita entre médico e paciente, e que esta intervenção cumpra escrupulosamente o protocolo clínico, para o bem-estar e saúde do paciente, que tem de ser sempre prioridade.

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