As percepções e expectativas sobre os implantes dentários

Os implantes dentários são considerados uma das inovações mais importantes na medicina dentária contemporânea. A implantologia tornou-se uma das suas áreas mais activas e promissoras sendo uma alternativa muito utilizada, com sucesso clínico, na reabilitação oral de pacientes parcial ou totalmente desdentados (Pjetursson et al. 2014; Beikler & Flemmig 2015).

Devido à complexidade da implantologia dentária, é possível ser-se confrontado com informações confusas que surgem de diferentes fontes, nem sempre refletindo dados fiáveis, imparciais e baseados em evidência científica. A exposição do paciente a essa informação pode gerar uma percepção irrealista sobre os implantes dentários que influencie a sua intenção de os considerar como uma opção de tratamento quando necessário (Wang et al.2015; Yao et al. 2017).

No sentido de entender quais seriam as percepções erróneas e expectativas irrealistas mais comuns dos pacientes em relação aos implantes dentários, foram realizados alguns estudos (Wang et al. 2015; Yao et al. 2017) a partir dos quais foi possível apurar alguns destes resultados, com concordância de cerca de 30% ou mais dos pacientes inquiridos:

➔ Os implantes dentários requerem menos cuidados que a dentição natural;

A percepção de que os implantes requerem menos cuidados do que os dentes naturais pode comprometer os resultados finais do tratamento por não serem executados os procedimentos de higiene completos levando a possíveis falhas e insatisfação (Baracat et al. 2011; Lima et al. 2011; Wang et al. 2015). Outros estudos verificaram que, embora muitos pacientes tenham reconhecido a necessidade de manutenção regular, o seu conhecimento sobre o que envolve é limitado (Simensen et al. 2015; Atieh et al. 2015).

Para manutenção periódica dos implantes é importante evitar a acumulação de placa bacteriana, de modo a prevenir a inflamação da gengiva e do tecido em redor do implante. A sua remoção pode ser realizada com recurso à escovagem, recomendada duas vezes por dia, com escova de dentes manual ou eléctrica, e aos meios complementares de higiene oral que demonstraram ser indicados para uso em redor das superfícies dos implantes e que incluem os escovilhões, as escovas unitufo e alguns tipos de fio dentário nomeadamente com ponta endurecida para higienizar a superfície em contacto com a gengiva no caso de pontes fixas sobre implantes (Humphrey, 2006; Todescan et al., 2002).

As instruções para cuidados de higiene oral a ter em casa devem ser personalizadas de acordo com a condição do tecido gengival, implante, da respectiva reabilitação e do seu acesso. Acima de tudo, é importante que o paciente compreenda o seu papel e responsabilidade na manutenção dos implantes, sendo essenciais as consultas de controlo e manutenção dos mesmos (Todescan et al., 2002).

➔ Os implantes dentários são apropriados para todos os pacientes desdentados;

Muitos pacientes acreditavam que a colocação de implantes seria uma solução para todos os casos de falta de dentes e não estavam cientes da necessidade de avaliar a sua indicação para este tratamento (Wang et al. 2015). Apesar de todas as suas vantagens, a colocação de um implante dentário é um procedimento que exige consideração pela anatomia oral, trauma potencial e capacidade de cura do paciente. Desta forma, indicações, precauções e contra-indicações são componentes essenciais no diagnóstico. Existem poucas situações ou condições médicas que criam uma contra-indicação absoluta para a colocação de um implante dentário. As contraindicações relativas são situações associadas a condições de saúde que podem aumentar o risco de um efeito adverso, como complicações pós-operatórias (Kullar & Miller, 2019).
Durante a fase de planeamento, as condições de saúde (tais como hábitos tabágicos) e doenças sistémicas (tais como diabetes, doenças sanguíneas ou tratamentos de radioterapia) devem ser respeitadas, e deve-se tomar cuidado antes de iniciar um procedimento ou tratamento para garantir que os benefícios superam os riscos (Kullar & Miller, 2019).

Duram mais tempo do que os dentes naturais;

Os implantes dentários são uma excelente opção de tratamento para substituir os dentes ausentes (Pjetursson et al., 2018).
Segundo vários estudos realizados, 90% a 95% dos implantes dentários são mantidos com sucesso num período de 10 anos, tornando-os numa opção de tratamento bastante previsível (Spiekermann et al., 1995; Mattheos et al., 2009; Pjetursson et al., 2018).
Os cuidados diários por parte do paciente, tais como evitar hábitos tabágicos, manter uma boa rotina de higiene oral e controlar doenças sistémicas (como a diabetes) são aspectos fundamentais para a longevidade dos implantes dentários (Paquette et al., 2006).

Quando questionados sobre os seus níveis de conhecimento acerca do tema, 63% dos pacientes revelaram ter informação geral ao seu dispor mas apenas 18%
demonstraram confiança na informação que dispunham.

Para que os pacientes possam tomar decisões informadas e conscientes sobre os seus próprios tratamentos dentários é extremamente importante a comunicação com o médico dentista que lhes poderá transmitir todos os conhecimentos necessários, desenvolver expectativas realistas a partir do diagnóstico e mostrar as opções de tratamento mais indicadas para cada caso (Wang et al. 2015).

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